Apresentação e algumas outras cositas
Almarë, valentes do Quilombo Digital:
Bem, queria primeiro de tudo me apresentar, antes de chegar dando os
meus pitacos.
Meu nome é Fábio Emilio Costa, 25 anos, estudante de Desenvolvimento
de Software nas faculdades ASMEC de Ouro Fino, usuário de GNU/Linux
(melhor colocar assim para os xiitas não avançarem na minha garganta
) convicto a mais ou menos 4 anos. Já usei Slackware, RedHat,
Conectiva e atualmente uso Definity, mas pretendo retornar ao
Slackware.
Já conhecia o trabalho do pessoal do Quilombo através da Revista do
Linux, mas foi depois de ler o livro "Software Livre e Inclusão
Digital" é que realmente senti que precisava entrar no Quilombo.
Queria dizer algumas coisas antes de passarmos ao que interessa:
1-) Eu costumo responder emails a cada 15 dias, já que (ainda) não
tenho acesso à Internet da minha casa. Por isso, espero que tenham
paciência com as respostas antigas que eu vou dar.
2-) Não sou do tipo "hacker" ainda. Estou começando a trilhar o
caminho para chegar no porte de caras como o Oliva, o Tosatti e o
Kojima. Espero chegar lá. Até lá, peço que tenham *MUITA*
paciência comigo.
Bem, apresentações feitas, vamos ao que interessa:
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Sobre: Migração Proprietário/Livre
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"Diversos estudos têm indicado que em geral o melhor caminho para a
migração é trocar primeiro a aplicação por uma livre, depois trocar o
sistema operacional por baixo. Então rodar Oracle em GNU/Linux não
ajuda muito: melhor adotar um SGDB livre no SO proprietário primeiro,
e depois migrar o SGDB pra um SO livre." (Alexandre Oliva)
Concordo com você: minha irmã de 14 anos está começando a usar o Linux
(posso colocar assim mesmo sem ninguém tentar me matar?
) e
começou usando o OpenOffice.org no Win98 que (por causa da faculdade)
ainda mantenho na minha máquina.
"Deve ter alguns que dão problema, sim, mas a maioria que eu conheço
funciona direitinho." (Alexandre Oliva)
Bem, concordo com você. Ao menos o PostgreSQL nunca me
decepcionou. O Linux só travou comigo quando fiz meu projeto final de
curso técnico com o PostgreSQL por causa de uma instrução SQL mal
feita (leia-se: problema na peça entre a cadeira e o teclado).
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Sobre: Um apelo (MUITO, MUITO LONGO MESMO!!!)
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Não sei se esse é o melhor lugar para mandar isso, mas já que essa
minha amiga pediu, resolvi que era por bem mandar para cá. Peço
desculpas àqueles a quem este assunto não interessar.
Queria aproveitar e questionar se existe algum projeto interessante
que envolva o uso do SL para acessibilidade para deficientes visuais.
Obrigado por tudo e aí vai o texto, apenas formatado para tornar a
leitura mais agradável a "videntes", como a pessoa abaixo se refere às
pessoas que enxergam:
"O sistema Dosvox, um conjunto de softwares que possibilitam aos cegos
utilizarem a Internet, está em vias de instinção por falta de verbas.
A instinção deste projeto seria um caos para os cegos brasileiros,
devida a enorme importância que ele tem para nós, dado às facilidades
que introduziu em nossas vidas, nosmais variados aspectos.
medidas estão sendo tomadas, e nós, usuários do projeto, estamos sendo
insentivados a escrever e divulgar textos sobre o Dosvox e a
importância dele.
Não temos um plano trassado com exatidão, mas cada um faz o que pode.
Por enquanto, o que eu pude fazer foi escrever este texto e, agora,
pedir que vocês o repassem. Apenas isto: repassem-no. Todo mundo
repassa piadas, mensagens sobre vírus inexistentes, né? Então, apenas
repassem este texto.
O máximo que lhes acontecerá é que os apaguem sem dar-lhes a mínima.
Divulgar o Dosvox e sua importância é tudo que podemos fazer, por
enquanto, é é o que faremos.
Está sendo desenvolvido um site com relatos de vários usuários e mais
algumas coisinhas.
Enquanto o Sitenão vem, divulgamos os textos isoladamente. Se alguém
puder ajudar, divulgando-o também, eu ficarei muito feliz.
Muito obrigada!
Afetuosamente,
Jobis, a descabelada feliz
A importância do dosvox
(Joyce Fernanda - Jobis)
1 - O cego
Sabe-se que o Dosvox é um sistema que permite que cegos usem o
computador. Supondo que este texto deva destinar-se às pessoas comuns
que, normalmente, pouco ou quase nada sabem sobre nós, cegos,
mistrando eus achismos com mitos seculares sobre nós, achei mlhor
falar um pouco sobre o cego, sobre o que é não enxergar, para que
possam entender com mais exatidão o que o Dosvox significa para nós.
Antes, porém, gostaria de deixar claro que o que vou escrever não é
regra. Vou falar do que eu sinto, do que eu vivenciei, com as minhas
possibilidades de entendimento, que não são das mais amplas.
Os relatos que farei sobre condições de estudo, por exemplo,
aplicavam-se ao Instituto dos Cegos da Paraíba, na década de noventa.
Isto significa que, agora, pode ser diferente, e que em outros
estados, ainda, pode ser diferente.
Quero dizer, com isto, que o que quer que eu diga representaráa minha
visão de mundo, não uma lei imutável.
Ser cego não é, de maneira alguma, o suplício que os videntes supõe,
quando tentam caminhar com os olhos fechados. Se você nasceu assim,
não é algo tão terrível. Você não fica com vontade de chorar quando vê
pessoas em volta de um aparelho de TV, nem de se matar quando dizem
que o Sol está se pondo de uma maneira linda ou quando as pessoas usam
o verbo "ver" na suafrente. Na verdade, nunca conheci um cego que
tivesse preconceito contra este verbo e seus afins, mas isto não quer
dizer que ser cego seja fácil. Não é.
As pessoas esperam sempre que sejamos inferiores, e enxergam o menor
avanço como mostras de superioridade inequívocas, o que acaba sendo um
tanto quanto exagerado, provindo mais da falta de informação que de
qualquer outro fator.
Entretanto, não é raro cegos terem um mundo próprio,um mundo, de certa
maneira, um bocado alienado. Por não entenderem parte do mundo a seu
redor e por, muitas vezes, não serem estimulados devidamente pelas
suas famílias por fatores quenão nos cabe discutir aqui, eles se
isolam, vivendo sempre de cabeça baixa ou balançando-se ao falar.
Alguns há que adquirem um jeito próprio de falar e se comunicar, cheio
de maneirismos que os tornam ainda mais esquisitos aos olhos de quem
enxerga.
Sobretudo, existe a alienação. Alguns não se sentem estimulados a ver
televisão, porque muita coisa é visual, e então vivem fazendo a mesma
coisa todo o tempo, ou sem saber do que acontece a seu redor.
Talvez o "cego da capital" que me ouça dizendo essas coisas, fique
furioso comigo, dizendo que eu estou desmoralizando a classe. Na
verdade, isso tudo parece absurdo sevisto sob o ponto de vista das
grandes cidades. Eu, porém, como aluna seme-interna do Instituto dos
Cegos da Paraíba, vi muitos cegos vindos do interior, e posso garantir
que o quadro não é muito diferente, não apenas por serem do interior,
mas por terem contribuído fortemente para que eles sejam assim a
desinformação das pessoas com que conviviam e as condições precárias
de que dispunham, algumas vezes.
Muitos deles, entretanto, após receberem os estímulos certos,
tornam-se sagazes e totalmente áptos a participar ativa e
produtivamente da nossa sociedade. Mais que isso e mais importante:
tornam-se pessoas mais felizes e satisfeitas consigo mesmas.
O que acontecerá se pegarmos um deficiente físico de nascença e não
lhe dermos o menor estímulo? Não precisa ser muito inteligente para
deduzir que ele não conhecerá os limites da sua limitação, e lhe
atribuirá poderes excessivos;
se você pegar um deficiente auditivo e não lhe proporcionar o
aprendizado da linguagem de sinais ou da leitura de lábios, ele
crescerá isolado do mundo que o serca, ou com fracos vislumbres dele;
Se pegarmos um deficiente mental e não o estimularmos, não veremos
quadro muito melhor.
Então, por que não supor que com o cego acontece o mesmo?
O cego, como todo deficiente, precisa de estímulos, para que possa
florescer e conhecer os limites exatos da sua deficiência.
A independência que um cego pode adquirir, seja para o que for, é
relativa, mas cada conquista é um passoa mais para sua emansipação
como ser humano e sua auto-estima.
2 - O estudo
Em 1994, eu ingressei em uma Escola Normal. Isto significa que eu
deixei de estudar em uma escola própria para cegos e passei a estudar,
junto com outros cegos, em uma escola comum, composta majoritariamente
por alunos e professores que enxergavam.
Isto foi super positivo em termos de integração, mas trouxe algumas
dificuldades práticas, no tocante aos estudos.
Nós não tínhamos os livros. Então, precisávamos copiar todos os
exercícios, perguntas e respostas a mão, utilizando-nos das nossas
regletes e punções. Quando o conteúdo era muito grande, pessoas
batiam-no à Máquina Braille para nós, método mais rápido que o uso da
reglete. Entretanto, como o material era grande, os alunos cegos
estudando em escolas normais muitos e os escreventes e máquinas
disponíveis poucos, não era raro não recebermos o material há tempo
para estudarmos paraa prova, ou recebê-lo na anti-véspera ou véspera
da avaliação. Isto significava que acabávamos ficando atrás, no
tocante à oportunidade de ler e memorizar o conteúdo. Como
solidariedade não cai no vestibular, não era raro não conseguirmos
acompanhar a aula dada pelo professor, o que seria nossa esperança
enquanto o material não chegasse, porque os alunos não conseguiam
fechar a boca enquanto o mestre explicava.
Dessa maneira, enquanto o material datilografado não chegava, os cegos
que tinham sorte gravavam as aulas e tentavam, em meio às conversas
dos alunos, entender o que o professor dizia.
Com as matérias de cáuculos, isto era ainda mais trágico.
O professor não podia nos ajudar. Se tentasse nos explicar, por
exemplo, equação do segundo grau até que entendêssemos, a turma
ficaria para trás, e nós tínhamos muito para copiar para darmos a
atenção devida às matérias de cáuculo. Além disso, no Instituto, havia
poucos itinerantes para muitos alunos cegos, de escolas e séries
diferentes. Não foram raras as vezes em que vi nossa itinerante ditar
exercícios de histórias para algumas pessoas, de português para outras
e, de quebra, tentar nos ensinar matemática ou química.
Só tínhamos contato com os gráficos na véspera da prova, isso se
tivéssemos sorte.
Não tenho medo de dizer que muitos professores de matérias de cáuculos
nos passavam por gentileza, pois sentiam nosso interesse em aprender e
nossa impossibilidade de fazê-lo à contento.
O que o advento do dosvox fez por nós?
Por mim, em termos escolares naquela época, muito pouco, porque só
comecei a usar o dosvox quando estava no terceiro ano científico, mas
posso falar do que vi e do que creio ser viável.
Existe o Desenvox, um programa que faz gráficos em braille. Com ele e
uma impressora braille, pode-se ensinar aos alunos cegos a lidar com
os gráficos muito antes das provas.
Com um scanner e uma impressora braille, consegue-se o material
necessário com muito mais agilidade, isto para não falar nos Centros
de Apoio Pedagógicos que podem nos fornecer capítulos de livros
inteiros em um tempo muito curto.
As pessoas que ficariam ocupadas usando a máquina (são necessárias
duas: uma que enxerga, para ditar, e uma cega, para datilografar),
poem nos ajudar a entender os conteúdos. Não foram poucas as vezes em
que eu e meus amigos ficamos sem assistência em alguma matéria, porque
o professor tinha que datilografar ou ajudar a datilografar algum
assunto importante para nós mesmos ou para algum companheiro de
escola.
A quem lê, pode soar como irresponsabilidade, mas não era, mesmo!
Acreditem: aquelas pessoas faziam o que era possível. A diferença é
que, com o dosvox, é possível que façam muito, muito mais.
3 - O Dosvox e eu
Comecei a usar o Dosvox em 1999, e, pouco a pouco, entendi do que ele
é capaz.
Um computador é muito mais útil a uma pessoa que não enxerga que a uma
pessoa que enxerga. Você, que está lendo este texto agora, não
precisa de um computador para ler um jornal, uma revista, o resumo da
sua novela favorita, um romance, uma receita de bolo, escrever uma
carta com privacidade para um amigo e, muitas das vezes, conversar.
Provavelmente você tem seus jornais e seus livros longe do PC, e pode
ler suas receitas na cozinha, perto dos utencilhos necessários.
Provavelmente você nunca precisou ditar uma carta para alguém, ou
escrevê-la em Braille e pedir para que alguém escrevesse em tinta
entre as linhas (chamamos transcrever a isto), ficando sem jeito de
abrir seu coração para o destinatário, porque alguém leria a carta,
além dele.
Fica difícil para explicar a você, caro leitor, o que isto significa
para uma pessoa que nunca pôde disfrutar esses prazeres simples.
Sei de cegos que choraram quando puderam acessar um jornal pela
primeira vez e ler o que quisessem, sem depender da boa-vontade de
alguém, sendo eu mesma uma delas.
Eu tive um aluno que escreveu um texto qualquer no Dosvox e pediu para
imprimí-lo. depois, levou-o para uma pessoa que enxergava e pediu para
que ela o lesse. Ela o leu, e ele se emocionou. Sempre houvera uma
barreira entre as coisas que ele queria escrever e o fato das pessoas
que enxergam não poderem ler.
Embora o Braille seja muito útil quando somos adolescentes e podemos
deixar nossos diários secretíssimos à toa, por aí, a brincadeira acaba
quando percebemos que, por mais que saibamos, é como se fôssemos
analfabetos, porque não podemos escreverpara o mundo. Não podemos
anotar nosso telefone para ninguém, não podemos ler nada.
eu fiquei felissíssima quando pude imprimir minhas poesias e ouví-las
sendo lidas pelas pessoas de minha família, quando pude escrever uma
carta para uma correspondente sem depender umbilicalmente de alguém
que a copiasse ou transcrevesse para mim, quando pude escolher o que
queria ler do jornal, e não ficar torcendo para que o vidente que
lesse a minha frente tivesse a inspiração de dividir comigo o que lia,
fiquei exultante quando descobri que podia ler sobre o que quisese e
tudo que quisesse.
muitos cegos são alienados por não poderem ler sobre atualidade,
ficando irremediavelmente restritos às publicações em Braille e ecos
do que as pessoas videntes leem para eles. A consciência que se toma
da sociedade e do mundo à sua volta a partir do momento que se pode
acompanhar a história pelos jornais e revistas é algo tão maravilhoso,
que estranha-me muito que as pessoas que enxergam não o façam mais
seguidamente.
4 - Aspectos Emocionais do dosvox em minha vida - Utilizando a Internet
Com a Internet e o dosvox, entretanto, eu pude muito mais que ler o
quequeria do jornal ou saber o que aconteceria na novela das oito. Eu
pude conhecer pessoas e interagir com videntes e cegos, ampliando meu
leque de amizades e de experiências.
Pela primeira vez, um vidente pode conversar comigo sem prestar
atenção mais à deformidade dos meus olhos que a mim; pela primeira
vez, o fato de eu ser cega não era responsável umbilical pela sua
aproximação; pela primeira vez, eu podia ter a certeza de que as
minhas idéias valiam mais que a minha aparência.
Partilhar experiências, sair do meu casulinho, descobrir que cada
pessoa era um mundo e que o tratamento ao cego variava de região para
região, só não foi mais mágico que a possibilidade de fazer amizades
sólidas e duradouras através destas ferramentas tão úteis.
As salas de chats exercem um encanto ainda maior quando a pessoa que
está do outro lado da telinha tem restritas possibilidades de sair de
casa - por fatores que não cabem serem discutidos aqui - e, muita das
vezes, tem uma visão restrita do universo a sua volta.
Quando você se sente sozinho por qualquer motivo, entra em uma sala de
bate-papo e descobre que, do outro lado, existe uma pessoinha tão
ávida de comunicar-se quanto você, então a vida fica mais cor-de-rosa,
e por mais realistas que tenhamos que ser, um pouco de colorido em
nossas vidas só faz o ato de existir ser ainda mais prazeroso.
Fiz inúmeros amigos através da Internet. Amigos que sobreviveram aos
anos e às minhas três mudanças de estados; amigos que sobreviveram às
minhas imperfeições e às deles próprios, e que sempre estiveram ao meu
lado. Amigos cegos e não cegos, com quem eu pude abrir meu coração e
permitir que o coração deles se derramasse no meu, seja por
declarações fervorosas de amizade "Você é minha melhor amiga!", seja
por momentos alegres, aparentemente inúteis, para quem vise de fora. É
da simplicidade e da delicadeza que nosso coração se alimenta, e a
Internet, juntamente com o dosvox, ampliou esta possibilidade.
Quando eu tinha onze anos, assim que entrei para a escola regular, meu
pai faleceu de cancer. Foi algo terrível!
Quando comecei a participar das salas de Chats, acabei ganhando um pai
virtual. Não, nada a ver pensar que ele substituiu meu pai. Idiota
seria até cogitar isso! Mas era gratificante poder chamar alguém de
pai e ser chamada de filha por alguém, e o fato de eu estar no Rio,
Minas ou Paraíba e ele no Rio grande do Sul, não fazia a mínima
importância. Podíamos passar meses sem nos falar, mas eu sabia que
ele estava lá e, estou certa, ele sabia que eu me importava com ele. E
quando telefonei-lhe para comunicar sobre o meu casamento iminente,
ouvi alegria sincera nas suas palavras, quase como se sua filha
estivesse se casando. O fato de nunca termos partilhado um abraço
físico parecia de muito pouca relevância naquele momento.
Ganhei, ainda, dois irmãos maravilhosos (Um de Minas e outro também do
rio Grande), e é sincero o afeto que nos une. Embora nem sempre
estejamos nos comunicando, não restam dúvidas de que nossos corações
estão sempre sintonizados em uma só faixa de harmonia e querer bem
recíprocos.
5 - Amor
Eu conheço várias histórias de amor nascidas entre os cegos da nossa
comunidade virtual, o dosvox, mas como só sei os detalhes da minha
própria, gostaria de falar, muito brevemente, sobre ela.
Eu morava em João Pessoa, na Paraíba, e tinha dezesseis anos.
Trocava cartas com um moço de Guaxupé, em Minas, e fiquei muito
contente quando consegui usar a Internet porque sabia que ele já tinha
E-mail.
Acabamos nos encontrando no bate-papo e a nossa amizade foi tomando
forma, tomando forma, até que, em fevereiro de 2000, começamos a
namorar.
Não vou descrever os quase quatro anos que passamos namorando quase
que apenas pela Internet, já que os encontros eram esparsos, por causa
da distância entre nossos estados. Não direi que foi fácil. Foi muito,
muito difícil. Entretanto, se não fosse o Projeto Dosvox, nós nunca
teríamos nos conhecido, e embora nosso relacionamento seja humano, com
altos e baixos como convem a todo relacionamento, não gosto de
imaginar como seria minha vida sem ele.
Vamos nos casar no dia 23 de janeiro. (N.R.: Jobis casou-se
recentemente para alegria de todos aqueles que a conhecem)
6 - Conclusão
A minha história de vida é apenas a minha história de vida. Não
significaria nada, se fosse um caso isolado, se fosse apenas a
história de uma cega nascida na paraíba e indo casar em Minas gerais.
Seria um caso interessante, mas, ainda assim, isolado, sem importância
social nenhuma.
Acontece que os agentes que protaconizaram minha história de vida
protagonizaram milhares de histórias, por todo o país. O dosvox tem,
atualmente, serca de dez mil usuários espalhados pelo Brasil. São
cegos que tem suas vidas melhoradas em diversos aspéctos porque um
professor formado em Computação Gráfica decidiu se importar com um
aluno cego da sua sala de aula, e acabou, direta e indiretamente,
importando-se com os cegos do país inteiro.
O dosvox não tem uma importãncia isolada, restrita a mim, ao diniz, ao
Márcio ou a Miau. O dosvox alfabetiza cegos, instrui, socializa,
estimula, imprega, ajuda a formar e a dar mais independência e
felicidade a cegos . Antes deles, nosso campo de trabalho era super
restrito; com ele, quase tudo pode ser possível ou viabilizado.
O objetivo deste texto é explicar porque o Dosvox tem uma importância
Social imensa e deve ser estimulado e preservado a todo custo. Ele não
serve apenas para permitir que cegos façam amigos; ele não serve
apenas para permitir que cegos tenham mais oportunidades de emprego;
ele não serve apenas para permitir que cegos possam ler seus jornais à
vontade; ele não serve apenas para que cegos possam estudar com mais
facilidade; ele não serve apenas para que cegos possam se comunicar
com mais rapidez; ele não serve apenas para nos auxiliar, com as falas
Sape, a estudar e ler em outros idiomas; ele não serve apenas para
auxiliar na alfabetização de cegos. Ele serve para tudo isso e muito
mais, por isto é importante, por isto merece que todos saibam dele,
mesmo que não tenham nenhum amigo sem visão, mesmo que todos os seus
parentes enxerguem perfeitamente.
Somos muito hábeis em publicar injustiças por aí, mas somos muito
morosos para falar sobre coisas boas que acontecem.
Jobis
HP:
http://www.lerparaver.com/nossomundo
MSN: jobis_jp@..."
Bem, o que eu penso da Jobis? Ela é uma pessoa intelectualmente tão
capaz quanto qualquer outra, a cegueira (que ela assume ter) não a
tornou mental ou psicologicamente menos capaz do que qualquer pessoa
no mundo. Eu a conheci em listas de discussão sobre a série de livros
de Harry Potter para adultos (No caso, o Clube Harry Potter Seniors do
Yahoo! Grupos) e nunca tinha notado que ela era cega, até o dia em
que uma mensagem dela escapou o DOSVOX. Mesmo assim, continuamos nos
falando e ela é uma pessoa simpática e muito querida dentro do grupo
de discussão do qual fazemos parte.
Por isso mesmo estou repassando esse email para vocês... Não acredito
que ela me sacanearia, e acho importante que todos aqui saibam que
devem haver outras pessoas como ela no Brasil, dependentes de um
software proprietário que pode ser extinto a qualquer momento.
Não coloquei os erros de português... Creio que eles estão aí porque
ela usou um Software de reconhecimento de Voz para redigir o email.
Espero que vocês repassem isso a pessoas que tenham esse espírito
cristão de ajudar o próximo.
Ah, e antes que me perguntem: eu já disse para ela o que é Software
Livre
Obrigado pela atenção, amigos quilombolas, e peço muitas desculpas por
ter mandado algo tão longo logo no meu primeiro post.
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Fabio Emilio Costa Borda da Mata - MG - Brazil
hogwartslinux@... ICQ #:173799674
Linux User #328087 (counter.li.org) Nick: Sam_Weasley
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