Marcelo Oliveira | 1 Aug 2010 15:11
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Sambas concorrentes carnaval 2011

Ouça, leia a letra e faça o download dos sambas de enredo concorrentes para o carnaval 2011:

Estação Primeira de Mangueira - O filho fiel, sempre Mangueira – Sambas-de-enredo concorrentes carnaval 2011
http://bit.ly/bNTbMT

Império da Tijuca - O Mundo em Carnaval. Um olhar sobre a Cultura dos Povos - Sambas concorrentes carnaval 2011                       http://bit.ly/bRb9oW

Lins Imperial – Um lugar chamado favela – Sambas-de-enredo concorrentes carnaval 2011
http://bit.ly/d2ryld

São Clemente – O seu, o meu, o nosso Rio, abençoado por Deus e bonito por natureza – Sambas-de-enredo concorrentes carnaval 2011
http://bit.ly/csdYWR

União da Ilha do Governandor - Mistério da vida - Sambas-de-enredo concorrentes carnaval 2011
http://bit.ly/a27as8

Acadêmicos do Cubango – A emoção está no ar! – Sambas-de-enredo concorrentes carnaval 2011
http://bit.ly/aJtl99


Fonte: http://www.sambaderaiz.net

--
Um abraço
Marcelo Oliveira

<div><p>Ou&ccedil;a, leia a letra e fa&ccedil;a o download dos sambas de enredo concorrentes para o carnaval 2011:<br><br>Esta&ccedil;&atilde;o Primeira de Mangueira - O filho fiel, sempre Mangueira &ndash; Sambas-de-enredo concorrentes carnaval 2011<br><a href="http://bit.ly/bNTbMT">http://bit.ly/bNTbMT</a><br><br>Imp&eacute;rio da Tijuca - O Mundo em Carnaval. Um olhar sobre a Cultura dos Povos - Sambas concorrentes carnaval 2011&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <a href="http://bit.ly/bRb9oW">http://bit.ly/bRb9oW</a><br><br>Lins Imperial &ndash; Um lugar chamado favela &ndash; Sambas-de-enredo concorrentes carnaval 2011<br><a href="http://bit.ly/d2ryld">http://bit.ly/d2ryld</a><br><br>S&atilde;o Clemente &ndash; O seu, o meu, o nosso Rio, aben&ccedil;oado por Deus e bonito por natureza &ndash; Sambas-de-enredo concorrentes carnaval 2011<br><a href="http://bit.ly/csdYWR">http://bit.ly/csdYWR</a><br><br>Uni&atilde;o da Ilha do Governandor - Mist&eacute;rio da vida - Sambas-de-enredo concorrentes carnaval 2011<br><a href="http://bit.ly/a27as8">http://bit.ly/a27as8</a><br><br>Acad&ecirc;micos do Cubango &ndash; A emo&ccedil;&atilde;o est&aacute; no ar! &ndash; Sambas-de-enredo concorrentes carnaval 2011<br><a href="http://bit.ly/aJtl99">http://bit.ly/aJtl99</a><br><br><br>Fonte: <a href="http://www.sambaderaiz.net">http://www.sambaderaiz.net</a><br><br>-- <br>Um abra&ccedil;o<br>Marcelo Oliveira<br></p></div>
elida kronig | 1 Aug 2010 20:38
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bandas/grupos de seresteiros e chorinho

Oi, chorões

Que dificuldade para encontrar um grupo de seresteiros ou chorões para animarem encontros da terceira idade. Não tem nenhum site que tenha registrado esses grupos, por localidade, não sei como ninguém pensou nisso ainda.
Alguém pode me indicar algum grupo ou banda do Rio de Janeiro/RJ? Contato, site, e-mail, sinal de fumaça...

Grata pela atenção.

<div><p>Oi, chor&otilde;es<br><br>Que dificuldade para encontrar um grupo de seresteiros ou chor&otilde;es para animarem encontros da terceira idade. N&atilde;o tem nenhum site que tenha registrado esses grupos, por localidade, n&atilde;o sei como ningu&eacute;m pensou nisso ainda.<br>
Algu&eacute;m pode me indicar algum grupo ou banda do Rio de Janeiro/RJ? Contato, site, e-mail, sinal de fuma&ccedil;a...<br><br>Grata pela aten&ccedil;&atilde;o.<br></p></div>
mario globo | 2 Aug 2010 18:23

SAMBA: a força de um povo

Alo Tribuna

No dia 13/08/2010, os alunos do Canto Pra Viver-Oficina de Samba e Choro,
vão receber o cantor e compositor Délcio Carvalho. Na ocasião, o convidado
será homenageado, contará um pouco de sua história, de sua obra, e ilustrará
a oficina: SAMBA: A FORÇA DE UM POVO.

A oficina SAMBA: A FORÇA DE UM POVO, trata-se de uma coletânea de
depoimentos ouvidos diretamente da boca de quem faz a nossa cultura.

Repertório proposto:

1. CANDEEIRO DE VOVÓ
2. ME ESQUEÇA
3. SONHO MEU
4. ALVORECER
5. VENDAVAL DA VIDA
6. ACREDITAR

Estas letras cifradas se encontram no link abaixo.

http://www.cantopraviver.com/materiaula.html

No link abaixo um Reliese do ídolo

http://www.cantopraviver.com/DELCIOCARVALHO.HTML

Mario Pedro

Tuninho_Cabral | 2 Aug 2010 18:38
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Re: bandas/grupos de seresteiros e chorinho

Prezada Elida

Conheça www.movimentoartistico.org.br
e será feliz, com um chorinho da melhor qualidade.

Abs e boa sorte.



Em 1 de agosto de 2010 15:38, elida kronig <elidakronig.ek-Re5JQEeQqe8AvxtiuMwx3w@public.gmane.org> escreveu:
Oi, chorões

Que dificuldade para encontrar um grupo de seresteiros ou chorões para animarem encontros da terceira idade. Não tem nenhum site que tenha registrado esses grupos, por localidade, não sei como ninguém pensou nisso ainda.
Alguém pode me indicar algum grupo ou banda do Rio de Janeiro/RJ? Contato, site, e-mail, sinal de fumaça...

Grata pela atenção.

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http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna




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Que DEUS lhe abençoe.
---------------------------------
Tuninho Cabral
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ADOTE ESTA CAMPANHA
1. Ao repassar uma msg, apague os endereços do remetente e dos amigos antes de reenviar.
2. Encaminhe como cópia oculta (Cco ou Bcc) aos destinatários.
3. Apague também anúncios e mensagens anteriores, que não alterem o teor da mensagem a ser repassada.
4. No campo "Assunto", deixe apenas o título da mensagem, excluindo Re, Fw, etc., bem como qualquer palavra ou frase explicativa.

 Agindo desse modo, dificultaremos a disseminação de vírus, spams e banners.         --------------------------------------------------------------------------------------------------------------
<div>Prezada Elida<br><br>Conhe&ccedil;a <a href="http://www.movimentoartistico.org.br/" target="_blank">www.movimentoartistico.org.br</a><br>e ser&aacute; feliz, com um chorinho da melhor qualidade.<br><br>Abs e boa sorte.<br><br><br><br><div class="gmail_quote">Em 1 de agosto de 2010 15:38, elida kronig <span dir="ltr">&lt;<a href="mailto:elidakronig.ek@...">elidakronig.ek@...</a>&gt;</span> escreveu:<br><blockquote class="gmail_quote">

Oi, chor&otilde;es<br><br>Que dificuldade para encontrar um grupo de seresteiros ou chor&otilde;es para animarem encontros da terceira idade. N&atilde;o tem nenhum site que tenha registrado esses grupos, por localidade, n&atilde;o sei como ningu&eacute;m pensou nisso ainda.<br>

Algu&eacute;m pode me indicar algum grupo ou banda do Rio de Janeiro/RJ? Contato, site, e-mail, sinal de fuma&ccedil;a...<br><br>Grata pela aten&ccedil;&atilde;o.<br><br>_______________________________________________<br>
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2. Encaminhe como c&oacute;pia oculta (Cco ou Bcc) aos destinat&aacute;rios.<br>3. Apague tamb&eacute;m an&uacute;ncios e mensagens anteriores, que n&atilde;o alterem o teor da mensagem a ser repassada.<br>4. No campo "Assunto", deixe apenas o t&iacute;tulo da mensagem, excluindo Re, Fw, etc., bem como qualquer palavra ou frase explicativa.<br><br>&nbsp;Agindo desse modo, dificultaremos a dissemina&ccedil;&atilde;o de v&iacute;rus, spams e banners.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp; --------------------------------------------------------------------------------------------------------------<br>
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Eduardo S. Martins | 3 Aug 2010 17:40
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Os 80 anos de Elton Medeiros

Os 80 anos de Elton Medeiros:

http://veja.abril.com.br/blog/passarela/ 

abs.
Edu Mar

 
Mauricio Martins | 3 Aug 2010 21:11
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Uma homenagem a Paulo Moura

 

Pessoal, encaminho belo texto sobre Paulo Moura postado no blog Marginal Conservador,

Abraços, Maurício Martins

 

por Rogério Martins

Essa música me lembra uma história: Doce de coco, ou Uma homenagem a Paulo Moura

Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, não tenho mais certeza. Mas foi mais ou menos nesta época que meus pais se mudaram. Continuamos no mesmo bairro, Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola, onde eu terminava o antigo 2º grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa, após a escola, por um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria das vezes, sozinho outras tantas. Saía da escola lá pelo meio-dia e no caminho passava por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu sempre que passava em frente diminuía os passos. Da rua, dava pra escutar perfeitamente o som que vinha de dentro: um som de um instrumento de sopro - um saxofone?, uma clarineta? eu não sabia. A pessoa que tocava aquele instrumento estava nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais tarde tocar para a plateia de dançarinos de uma gafieira ou para os bolsos mais afortunados presentes em uma casa mais sóbria, como o Teatro Municipal.

Somente mais tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava elegantemente aquele instrumento, e que me fazia diminuir os passos para ouvir mais um pouquinho de sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto período em que o genial músico morou no meu bairro, no começo dos anos 1980.

Creio que foi minha mãe que me contou da presença daquele músico que eu pouco conhecia. Mas a certeza de que havia um músico respeitado no meu bairro me fazia querer conhecer um pouco mais do trabalho dele. Algum tempo depois, uma de minhas tias, que adorava comemorar aniversários de forma diferente, avisou à família que iria comemorar naquele ano na Lapa. O local escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo havia a "Domingueira Voadora", com o maestro Severino Araújo comandando a Orquestra Tabajara num baile bastante concorrido. Paulo Moura não estava lá, mas a grandeza do naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo passado.

Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de Paulo Moura. Eu já era adolescente e, através de meu pai, um grande fã de músicas de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais eclético e expandir meu gosto. Uma música do disco me agradava muito. Era a primeira faixa, o fox "Mulher", de autoria de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, um grande sucesso dos anos 40. Os dois ou três primeiros minutos da gravação resumiam-se a um magnífico solo de clarineta de Moura, para somente depois entrar a voz do crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela gravação. Outra canção que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de coco", um choro simplesmente lindo.

Sim, eu sei, não são histórias brilhantes, nem muito originais. Mas resolvi contá-las depois que ouvi a notícia da morte de Paulo Moura, aos 77 anos, na clínica em que estava internado para se tratar de um câncer. Aquele homem que sem o saber alegrou meus retornos pra casa após a escola em meus tempos de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, não sorriu, dançou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou clarineta de Paulo Moura. Quantos casais não se formaram depois de dançarem enlevados um fox-trot tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente e sem o perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da música instrumental dos discos do maestro, naquelas belas canções sem palavras? Quantos ignoram até hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em quase todos os grandes momentos de nossa música nas últimas décadas?

No ano passado, dei de presente ao meu pai o disco "Dois panos para manga", o belo encontro musical de Paulo Moura e João Donato, apenas piano e clarineta em versões instrumentais para clássicos brasileiros e americanos. Escutamos juntos o CD em casa e no carro. Não havia dúvidas: aquele menino que nascera em São Paulo na década de 1930 e que por algum tempo morara em nosso bairro era realmente genial.

Paulo Moura se foi no começo desta semana. Morreu sereno e tranquilo como sempre foi. Li nos obituários de sua morte que ninguém jamais se lembrara de tê-lo visto levantar a voz com algum músico ou esbravejar com alguém. Era de uma elegância ímpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de morrer, Wagner Tiso e vários músicos amigos de Paulo o visitaram na clínica São Vicente, nde estava internado. Ali, já bastante fragilizado, Paulo pegou a clarineta e soprou por uma última vez "Doce de coco".

Hoje em dia só passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho e a casa onde moro. A casa onde Paulo Moura morou ainda está lá. Sei que nunca mais ouvirei o som daqueles sopros musicais vindos lá de dentro. Mas a lembrança daquelas caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de passos apenas para ouvir o músico, ficarão comigo para sempre.

Adeus, Paulo Moura.

<div>
<div class="date-posts">
<div class="post-outer">
<div class="post hentry">
<a name="2631653437310522476"></a>
<h3 class="post-title entry-title">&nbsp;</h3>
<p class="post-title entry-title">Pessoal, encaminho belo texto sobre Paulo Moura&nbsp;postado no blog Marginal Conservador,</p>
<p class="post-title entry-title">Abra&ccedil;os, Maur&iacute;cio Martins</p>
<p class="post-title entry-title">&nbsp;</p>
<p class="post-title entry-title">por Rog&eacute;rio Martins</p>
<h3 class="post-title entry-title">
<a href="http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce.html">Essa m&uacute;sica me lembra uma hist&oacute;ria: Doce de coco, ou Uma homenagem a Paulo Moura</a> </h3>
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<div class="post-header-line-1"></div>
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<div class="post-body entry-content">Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, n&atilde;o tenho mais certeza. Mas foi mais ou menos nesta &eacute;poca que meus pais se mudaram. Continuamos no mesmo bairro, Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola, onde eu terminava o antigo 2&ordm; grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa, ap&oacute;s a escola, por um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria das vezes, sozinho outras tantas. Sa&iacute;a da escola l&aacute; pelo meio-dia e no caminho passava por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu sempre que passava em frente diminu&iacute;a os passos. Da rua, dava pra escutar perfeitamente o som que vinha de dentro: um som de um instrumento de sopro - um saxofone?, uma clarineta? eu n&atilde;o sabia. A pessoa que tocava aquele instrumento estava nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais tarde tocar para a plateia de dan&ccedil;arinos de uma gafieira ou para os bolsos mais afortunados presentes em uma casa mais s&oacute;bria, como o Teatro Municipal.<br><br>Somente mais tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava elegantemente aquele instrumento, e que me fazia diminuir os passos para ouvir mais um pouquinho de sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto per&iacute;odo em que o genial m&uacute;sico morou no meu bairro, no come&ccedil;o dos anos 1980. <br><br>Creio que foi minha m&atilde;e que me contou da presen&ccedil;a daquele m&uacute;sico que eu pouco conhecia. Mas a certeza de que havia um m&uacute;sico respeitado no meu bairro me fazia querer conhecer um pouco mais do trabalho dele. Algum tempo depois, uma de minhas tias, que adorava comemorar anivers&aacute;rios de forma diferente, avisou &agrave; fam&iacute;lia que iria comemorar naquele ano na Lapa. O local escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo havia a "Domingueira Voadora", com o maestro Severino Ara&uacute;jo comandando a Orquestra Tabajara num baile bastante concorrido. Paulo Moura n&atilde;o estava l&aacute;, mas a grandeza do naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo passado.<br><br>Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de Paulo Moura. Eu j&aacute; era adolescente e, atrav&eacute;s de meu pai, um grande f&atilde; de m&uacute;sicas de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais ecl&eacute;tico e expandir meu gosto. Uma m&uacute;sica do disco me agradava muito. Era a primeira faixa, o fox "Mulher", de autoria de Cust&oacute;dio Mesquita e Sadi Cabral, um grande sucesso dos anos 40. Os dois ou tr&ecirc;s primeiros minutos da grava&ccedil;&atilde;o resumiam-se a um magn&iacute;fico solo de clarineta de Moura, para somente depois entrar a voz do crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela grava&ccedil;&atilde;o. Outra can&ccedil;&atilde;o que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de coco", um choro simplesmente lindo. <br><br>Sim, eu sei, n&atilde;o s&atilde;o hist&oacute;rias brilhantes, nem muito originais. Mas resolvi cont&aacute;-las depois que ouvi a not&iacute;cia da morte de Paulo Moura, aos 77 anos, na cl&iacute;nica em que estava internado para se tratar de um c&acirc;ncer. Aquele homem que sem o saber alegrou meus retornos pra casa ap&oacute;s a escola em meus tempos de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, n&atilde;o sorriu, dan&ccedil;ou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou clarineta de Paulo Moura. Quantos casais n&atilde;o se formaram depois de dan&ccedil;arem enlevados um fox-trot tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente e sem o perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da m&uacute;sica instrumental dos discos do maestro, naquelas belas can&ccedil;&otilde;es sem palavras? Quantos ignoram at&eacute; hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em quase todos os grandes momentos de nossa m&uacute;sica nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas? <br><br>No ano passado, dei de presente ao meu pai o disco "Dois panos para manga", o belo encontro musical de Paulo Moura e Jo&atilde;o Donato, apenas piano e clarineta em vers&otilde;es instrumentais para cl&aacute;ssicos brasileiros e americanos. Escutamos juntos o CD em casa e no carro. N&atilde;o havia d&uacute;vidas: aquele menino que nascera em S&atilde;o Paulo na d&eacute;cada de 1930 e que por algum tempo morara em nosso bairro era realmente genial.<br><br>Paulo Moura se foi no come&ccedil;o desta semana. Morreu sereno e tranquilo como sempre foi. Li nos obitu&aacute;rios de sua morte que ningu&eacute;m jamais se lembrara de t&ecirc;-lo visto levantar a voz com algum m&uacute;sico ou esbravejar com algu&eacute;m. Era de uma eleg&acirc;ncia &iacute;mpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de morrer, Wagner Tiso e v&aacute;rios m&uacute;sicos amigos de Paulo o visitaram na cl&iacute;nica S&atilde;o Vicente, nde estava internado. Ali, j&aacute; bastante fragilizado, Paulo pegou a clarineta e soprou por uma &uacute;ltima vez "Doce de coco". <br><br>Hoje em dia s&oacute; passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho e a casa onde moro. A casa onde Paulo Moura morou ainda est&aacute; l&aacute;. Sei que nunca mais ouvirei o som daqueles sopros musicais vindos l&aacute; de dentro. Mas a lembran&ccedil;a daquelas caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de passos apenas para ouvir o m&uacute;sico, ficar&atilde;o comigo para sempre.<br><br>Adeus, Paulo Moura. <br><br>
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Res: Os 80 anos de Elton Medeiros

Maravilha de reportagem Edu. Obrigado pela dica.
 
Abraços
 Ary

De: Eduardo S. Martins <edusima04-Re5JQEeQqe8AvxtiuMwx3w@public.gmane.org>
Para: tribuna-hdMxnMQYeBIXi6LuJXJ0AV/I71DsQ//L@public.gmane.org
Enviadas: Terça-feira, 3 de Agosto de 2010 12:40:01
Assunto: [S-C] Os 80 anos de Elton Medeiros

Os 80 anos de Elton Medeiros:

http://veja.abril.com.br/blog/passarela/
abs.
Edu Mar




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<div>Maravilha de reportagem Edu. Obrigado pela dica.</div>
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<div>Abra&ccedil;os</div>
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<span>De:</span> Eduardo S. Martins &lt;edusima04@...&gt;<br><span>Para:</span> tribuna@...<br><span>Enviadas:</span> Ter&ccedil;a-feira, 3 de Agosto de 2010 12:40:01<br><span>Assunto:</span> [S-C] Os 80 anos de Elton Medeiros<br><br>Os 80 anos de Elton Medeiros:<br><br><a href="http://veja.abril.com.br/blog/passarela/" target="_blank">http://veja.abril.com.br/blog/passarela/</a> <br>abs.<br>Edu Mar<br><br><br><br><br>_______________________________________________<br>Tribuna mailing list<br><a href="mailto:Tribuna@..." ymailto="mailto:Tribuna@...">Tribuna@...</a><br><a href="http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna" target="_blank">http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna</a><br>
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estevao | 4 Aug 2010 04:56
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RES: Uma homenagem a Paulo Moura

Que bela história, cada um vai fazendo a trilha sonora de sua vida. Obrigado pelo link !
 
 
Estêvão

 
De: tribuna-bounces-hdMxnMQYeBIXi6LuJXJ0AV/I71DsQ//L@public.gmane.org [mailto:tribuna-bounces-hdMxnMQYeBIXi6LuJXJ0AV/I71DsQ//L@public.gmane.org] Em nome de Mauricio Martins
Enviada em: terça-feira, 3 de agosto de 2010 16:12
Para: Tribuna samba e choro; Rogério Martins
Assunto: [S-C] Uma homenagem a Paulo Moura

 

Pessoal, encaminho belo texto sobre Paulo Moura postado no blog Marginal Conservador,

Abraços, Maurício Martins

 

por Rogério Martins

Essa música me lembra uma história: Doce de coco, ou Uma homenagem a Paulo Moura

Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, não tenho mais certeza. Mas foi mais ou menos nesta época que meus pais se mudaram. Continuamos no mesmo bairro, Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola, onde eu terminava o antigo 2º grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa, após a escola, por um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria das vezes, sozinho outras tantas. Saía da escola lá pelo meio-dia e no caminho passava por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu sempre que passava em frente diminuía os passos. Da rua, dava pra escutar perfeitamente o som que vinha de dentro: um som de um instrumento de sopro - um saxofone?, uma clarineta? eu não sabia. A pessoa que tocava aquele instrumento estava nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais tarde tocar para a plateia de dançarinos de uma gafieira ou para os bolsos mais afortunados presentes em uma casa mais sóbria, como o Teatro Municipal.

Somente mais tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava elegantemente aquele instrumento, e que me fazia diminuir os passos para ouvir mais um pouquinho de sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto período em que o genial músico morou no meu bairro, no começo dos anos 1980.

Creio que foi minha mãe que me contou da presença daquele músico que eu pouco conhecia. Mas a certeza de que havia um músico respeitado no meu bairro me fazia querer conhecer um pouco mais do trabalho dele. Algum tempo depois, uma de minhas tias, que adorava comemorar aniversários de forma diferente, avisou à família que iria comemorar naquele ano na Lapa. O local escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo havia a "Domingueira Voadora", com o maestro Severino Araújo comandando a Orquestra Tabajara num baile bastante concorrido. Paulo Moura não estava lá, mas a grandeza do naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo passado.

Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de Paulo Moura. Eu já era adolescente e, através de meu pai, um grande fã de músicas de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais eclético e expandir meu gosto. Uma música do disco me agradava muito. Era a primeira faixa, o fox "Mulher", de autoria de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, um grande sucesso dos anos 40. Os dois ou três primeiros minutos da gravação resumiam-se a um magnífico solo de clarineta de Moura, para somente depois entrar a voz do crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela gravação. Outra canção que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de coco", um choro simplesmente lindo.

Sim, eu sei, não são histórias brilhantes, nem muito originais. Mas resolvi contá-las depois que ouvi a notícia da morte de Paulo Moura, aos 77 anos, na clínica em que estava internado para se tratar de um câncer. Aquele homem que sem o saber alegrou meus retornos pra casa após a escola em meus tempos de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, não sorriu, dançou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou clarineta de Paulo Moura. Quantos casais não se formaram depois de dançarem enlevados um fox-trot tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente e sem o perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da música instrumental dos discos do maestro, naquelas belas canções sem palavras? Quantos ignoram até hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em quase todos os grandes momentos de nossa música nas últimas décadas?

No ano passado, dei de presente ao meu pai o disco "Dois panos para manga", o belo encontro musical de Paulo Moura e João Donato, apenas piano e clarineta em versões instrumentais para clássicos brasileiros e americanos. Escutamos juntos o CD em casa e no carro. Não havia dúvidas: aquele menino que nascera em São Paulo na década de 1930 e que por algum tempo morara em nosso bairro era realmente genial.

Paulo Moura se foi no começo desta semana. Morreu sereno e tranquilo como sempre foi. Li nos obituários de sua morte que ninguém jamais se lembrara de tê-lo visto levantar a voz com algum músico ou esbravejar com alguém. Era de uma elegância ímpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de morrer, Wagner Tiso e vários músicos amigos de Paulo o visitaram na clínica São Vicente, nde estava internado. Ali, já bastante fragilizado, Paulo pegou a clarineta e soprou por uma última vez "Doce de coco".

Hoje em dia só passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho e a casa onde moro. A casa onde Paulo Moura morou ainda está lá. Sei que nunca mais ouvirei o som daqueles sopros musicais vindos lá de dentro. Mas a lembrança daquelas caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de passos apenas para ouvir o músico, ficarão comigo para sempre.

Adeus, Paulo Moura.

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<div>
<div dir="ltr" align="left"><span class="562145102-04082010">Que bela hist&oacute;ria, cada um vai fazendo a trilha sonora 
de sua vida. Obrigado pelo link !</span></div>
<div dir="ltr" align="left">
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<div class="OutlookMessageHeader" lang="pt-br" dir="ltr" align="left">
De: tribuna-bounces@... 
[mailto:tribuna-bounces@...] Em nome de Mauricio 
Martins<br>Enviada em: ter&ccedil;a-feira, 3 de agosto de 2010 
16:12<br>Para: Tribuna samba e choro; Rog&eacute;rio Martins<br>Assunto: 
[S-C] Uma homenagem a Paulo Moura<br><br>
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<a name="2631653437310522476"></a>
<h3 class="post-title entry-title">&nbsp;</h3>
<p class="post-title entry-title">Pessoal, encaminho belo texto sobre Paulo 
Moura&nbsp;postado no blog Marginal Conservador,</p>
<p class="post-title entry-title">Abra&ccedil;os, Maur&iacute;cio Martins</p>
<p class="post-title entry-title">&nbsp;</p>
<p class="post-title entry-title">por Rog&eacute;rio Martins</p>
<h3 class="post-title entry-title">
<a href="http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce.html">Essa m&uacute;sica me lembra uma hist&oacute;ria: Doce de 
coco, ou Uma homenagem a Paulo Moura</a> </h3>
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<div class="post-header-line-1"></div>
</div>
<div class="post-body entry-content">Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, n&atilde;o tenho 
mais certeza. Mas foi mais ou menos nesta &eacute;poca que meus pais se mudaram. 
Continuamos no mesmo bairro, Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola, 
onde eu terminava o antigo 2&ordm; grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa, 
ap&oacute;s a escola, por um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria 
das vezes, sozinho outras tantas. Sa&iacute;a da escola l&aacute; pelo meio-dia e no caminho 
passava por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz 
Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu sempre que 
passava em frente diminu&iacute;a os passos. Da rua, dava pra escutar perfeitamente o 
som que vinha de dentro: um som de um instrumento de sopro - um saxofone?, uma 
clarineta? eu n&atilde;o sabia. A pessoa que tocava aquele instrumento estava 
nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais tarde tocar para a 
plateia de dan&ccedil;arinos de uma gafieira ou para os bolsos mais afortunados 
presentes em uma casa mais s&oacute;bria, como o Teatro Municipal.<br><br>Somente mais 
tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava elegantemente aquele 
instrumento, e que me fazia diminuir os passos para ouvir mais um pouquinho de 
sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto per&iacute;odo em que o genial m&uacute;sico 
morou no meu bairro, no come&ccedil;o dos anos 1980. <br><br>Creio que foi minha m&atilde;e 
que me contou da presen&ccedil;a daquele m&uacute;sico que eu pouco conhecia. Mas a certeza de 
que havia um m&uacute;sico respeitado no meu bairro me fazia querer conhecer um pouco 
mais do trabalho dele. Algum tempo depois, uma de minhas tias, que adorava 
comemorar anivers&aacute;rios de forma diferente, avisou &agrave; fam&iacute;lia que iria comemorar 
naquele ano na Lapa. O local escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo 
havia a "Domingueira Voadora", com o maestro Severino Ara&uacute;jo comandando a 
Orquestra Tabajara num baile bastante concorrido. Paulo Moura n&atilde;o estava l&aacute;, mas 
a grandeza do naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo 
passado.<br><br>Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de 
Paulo Moura. Eu j&aacute; era adolescente e, atrav&eacute;s de meu pai, um grande f&atilde; de 
m&uacute;sicas de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais ecl&eacute;tico e 
expandir meu gosto. Uma m&uacute;sica do disco me agradava muito. Era a primeira faixa, 
o fox "Mulher", de autoria de Cust&oacute;dio Mesquita e Sadi Cabral, um grande sucesso 
dos anos 40. Os dois ou tr&ecirc;s primeiros minutos da grava&ccedil;&atilde;o resumiam-se a um 
magn&iacute;fico solo de clarineta de Moura, para somente depois entrar a voz do 
crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela grava&ccedil;&atilde;o. Outra can&ccedil;&atilde;o 
que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de coco", um choro simplesmente 
lindo. <br><br>Sim, eu sei, n&atilde;o s&atilde;o hist&oacute;rias brilhantes, nem muito originais. 
Mas resolvi cont&aacute;-las depois que ouvi a not&iacute;cia da morte de Paulo Moura, aos 77 
anos, na cl&iacute;nica em que estava internado para se tratar de um c&acirc;ncer. Aquele 
homem que sem o saber alegrou meus retornos pra casa ap&oacute;s a escola em meus 
tempos de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, n&atilde;o sorriu, 
dan&ccedil;ou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou clarineta de Paulo 
Moura. Quantos casais n&atilde;o se formaram depois de dan&ccedil;arem enlevados um 
fox-trot tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente e sem o 
perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da m&uacute;sica instrumental 
dos discos do maestro, naquelas belas can&ccedil;&otilde;es sem palavras? Quantos ignoram at&eacute; 
hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em quase todos os grandes 
momentos de nossa m&uacute;sica nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas? <br><br>No ano passado, dei de 
presente ao meu pai o disco "Dois panos para manga", o belo encontro musical de 
Paulo Moura e Jo&atilde;o Donato, apenas piano e clarineta em vers&otilde;es instrumentais 
para cl&aacute;ssicos brasileiros e americanos. Escutamos juntos o CD em casa e no 
carro. N&atilde;o havia d&uacute;vidas: aquele menino que nascera em S&atilde;o Paulo na d&eacute;cada de 
1930 e que por algum tempo morara em nosso bairro era realmente 
genial.<br><br>Paulo Moura se foi no come&ccedil;o desta semana. Morreu sereno e 
tranquilo como sempre foi. Li nos obitu&aacute;rios de sua morte que ningu&eacute;m jamais se 
lembrara de t&ecirc;-lo visto levantar a voz com algum m&uacute;sico ou esbravejar com 
algu&eacute;m. Era de uma eleg&acirc;ncia &iacute;mpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de 
morrer, Wagner Tiso e v&aacute;rios m&uacute;sicos amigos de Paulo o visitaram na cl&iacute;nica S&atilde;o 
Vicente, nde estava internado. Ali, j&aacute; bastante fragilizado, Paulo pegou a 
clarineta e soprou por uma &uacute;ltima vez "Doce de coco". <br><br>Hoje em dia s&oacute; 
passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho e a casa onde moro. A 
casa onde Paulo Moura morou ainda est&aacute; l&aacute;. Sei que nunca mais ouvirei o som 
daqueles sopros musicais vindos l&aacute; de dentro. Mas a lembran&ccedil;a daquelas 
caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de passos apenas para ouvir o 
m&uacute;sico, ficar&atilde;o comigo para sempre.<br><br>Adeus, Paulo Moura. 
<br><br>
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Tuninho_Cabral | 4 Aug 2010 16:05
Picon

Uma homenagem a Paulo Moura: essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce

Obr. pelo link.

Parabéns, Paulo Roberto Pires (blog Marginal conservador

http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce.html




Em 3 de agosto de 2010 23:56, estevao <estevao-VI0lvyYTqMY39yzSjRtAkw@public.gmane.org> escreveu:
Que bela história, cada um vai fazendo a trilha sonora de sua vida. Obrigado pelo link !
 
 
Estêvão

 
De: tribuna-bounces-hdMxnMQYeBIXi6LuJXJ0AV/I71DsQ//L@public.gmane.org [mailto:tribuna-bounces-hdMxnMQYeBIXi6LuJXJ0AV/I71DsQ//L@public.gmane.org] Em nome de Mauricio Martins
Enviada em: terça-feira, 3 de agosto de 2010 16:12
Para: Tribuna samba e choro; Rogério Martins
Assunto: [S-C] Uma homenagem a Paulo Moura

 

Pessoal, encaminho belo texto sobre Paulo Moura postado no blog Marginal Conservador,

Abraços, Maurício Martins

 

por Rogério Martins

Essa música me lembra uma história: Doce de coco, ou Uma homenagem a Paulo Moura

Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, não tenho mais certeza. Mas foi mais ou menos nesta época que meus pais se mudaram. Continuamos no mesmo bairro, Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola, onde eu terminava o antigo 2º grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa, após a escola, por um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria das vezes, sozinho outras tantas. Saía da escola lá pelo meio-dia e no caminho passava por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu sempre que passava em frente diminuía os passos. Da rua, dava pra escutar perfeitamente o som que vinha de dentro: um som de um instrumento de sopro - um saxofone?, uma clarineta? eu não sabia. A pessoa que tocava aquele instrumento estava nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais tarde tocar para a plateia de dançarinos de uma gafieira ou para os bolsos mais afortunados presentes em uma casa mais sóbria, como o Teatro Municipal.

Somente mais tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava elegantemente aquele instrumento, e que me fazia diminuir os passos para ouvir mais um pouquinho de sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto período em que o genial músico morou no meu bairro, no começo dos anos 1980.

Creio que foi minha mãe que me contou da presença daquele músico que eu pouco conhecia. Mas a certeza de que havia um músico respeitado no meu bairro me fazia querer conhecer um pouco mais do trabalho dele. Algum tempo depois, uma de minhas tias, que adorava comemorar aniversários de forma diferente, avisou à família que iria comemorar naquele ano na Lapa. O local escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo havia a "Domingueira Voadora", com o maestro Severino Araújo comandando a Orquestra Tabajara num baile bastante concorrido. Paulo Moura não estava lá, mas a grandeza do naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo passado.

Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de Paulo Moura. Eu já era adolescente e, através de meu pai, um grande fã de músicas de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais eclético e expandir meu gosto. Uma música do disco me agradava muito. Era a primeira faixa, o fox "Mulher", de autoria de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, um grande sucesso dos anos 40. Os dois ou três primeiros minutos da gravação resumiam-se a um magnífico solo de clarineta de Moura, para somente depois entrar a voz do crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela gravação. Outra canção que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de coco", um choro simplesmente lindo.

Sim, eu sei, não são histórias brilhantes, nem muito originais. Mas resolvi contá-las depois que ouvi a notícia da morte de Paulo Moura, aos 77 anos, na clínica em que estava internado para se tratar de um câncer. Aquele homem que sem o saber alegrou meus retornos pra casa após a escola em meus tempos de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, não sorriu, dançou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou clarineta de Paulo Moura. Quantos casais não se formaram depois de dançarem enlevados um fox-trot tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente e sem o perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da música instrumental dos discos do maestro, naquelas belas canções sem palavras? Quantos ignoram até hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em quase todos os grandes momentos de nossa música nas últimas décadas?

No ano passado, dei de presente ao meu pai o disco "Dois panos para manga", o belo encontro musical de Paulo Moura e João Donato, apenas piano e clarineta em versões instrumentais para clássicos brasileiros e americanos. Escutamos juntos o CD em casa e no carro. Não havia dúvidas: aquele menino que nascera em São Paulo na década de 1930 e que por algum tempo morara em nosso bairro era realmente genial.

Paulo Moura se foi no começo desta semana. Morreu sereno e tranquilo como sempre foi. Li nos obituários de sua morte que ninguém jamais se lembrara de tê-lo visto levantar a voz com algum músico ou esbravejar com alguém. Era de uma elegância ímpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de morrer, Wagner Tiso e vários músicos amigos de Paulo o visitaram na clínica São Vicente, nde estava internado. Ali, já bastante fragilizado, Paulo pegou a clarineta e soprou por uma última vez "Doce de coco".

Hoje em dia só passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho e a casa onde moro. A casa onde Paulo Moura morou ainda está lá. Sei que nunca mais ouvirei o som daqueles sopros musicais vindos lá de dentro. Mas a lembrança daquelas caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de passos apenas para ouvir o músico, ficarão comigo para sempre.

Adeus, Paulo Moura.

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<div dir="ltr" align="left"><span>Que bela hist&oacute;ria, cada um vai fazendo a trilha sonora 
de sua vida. Obrigado pelo link !</span></div>
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coco, ou Uma homenagem a Paulo Moura</a> </h3>
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<div>Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, n&atilde;o tenho 
mais certeza. Mas foi mais ou menos nesta &eacute;poca que meus pais se mudaram. 
Continuamos no mesmo bairro, Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola, 
onde eu terminava o antigo 2&ordm; grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa, 
ap&oacute;s a escola, por um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria 
das vezes, sozinho outras tantas. Sa&iacute;a da escola l&aacute; pelo meio-dia e no caminho 
passava por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz 
Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu sempre que 
passava em frente diminu&iacute;a os passos. Da rua, dava pra escutar perfeitamente o 
som que vinha de dentro: um som de um instrumento de sopro - um saxofone?, uma 
clarineta? eu n&atilde;o sabia. A pessoa que tocava aquele instrumento estava 
nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais tarde tocar para a 
plateia de dan&ccedil;arinos de uma gafieira ou para os bolsos mais afortunados 
presentes em uma casa mais s&oacute;bria, como o Teatro Municipal.<br><br>Somente mais 
tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava elegantemente aquele 
instrumento, e que me fazia diminuir os passos para ouvir mais um pouquinho de 
sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto per&iacute;odo em que o genial m&uacute;sico 
morou no meu bairro, no come&ccedil;o dos anos 1980. <br><br>Creio que foi minha m&atilde;e 
que me contou da presen&ccedil;a daquele m&uacute;sico que eu pouco conhecia. Mas a certeza de 
que havia um m&uacute;sico respeitado no meu bairro me fazia querer conhecer um pouco 
mais do trabalho dele. Algum tempo depois, uma de minhas tias, que adorava 
comemorar anivers&aacute;rios de forma diferente, avisou &agrave; fam&iacute;lia que iria comemorar 
naquele ano na Lapa. O local escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo 
havia a "Domingueira Voadora", com o maestro Severino Ara&uacute;jo comandando a 
Orquestra Tabajara num baile bastante concorrido. Paulo Moura n&atilde;o estava l&aacute;, mas 
a grandeza do naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo 
passado.<br><br>Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de 
Paulo Moura. Eu j&aacute; era adolescente e, atrav&eacute;s de meu pai, um grande f&atilde; de 
m&uacute;sicas de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais ecl&eacute;tico e 
expandir meu gosto. Uma m&uacute;sica do disco me agradava muito. Era a primeira faixa, 
o fox "Mulher", de autoria de Cust&oacute;dio Mesquita e Sadi Cabral, um grande sucesso 
dos anos 40. Os dois ou tr&ecirc;s primeiros minutos da grava&ccedil;&atilde;o resumiam-se a um 
magn&iacute;fico solo de clarineta de Moura, para somente depois entrar a voz do 
crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela grava&ccedil;&atilde;o. Outra can&ccedil;&atilde;o 
que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de coco", um choro simplesmente 
lindo. <br><br>Sim, eu sei, n&atilde;o s&atilde;o hist&oacute;rias brilhantes, nem muito originais. 
Mas resolvi cont&aacute;-las depois que ouvi a not&iacute;cia da morte de Paulo Moura, aos 77 
anos, na cl&iacute;nica em que estava internado para se tratar de um c&acirc;ncer. Aquele 
homem que sem o saber alegrou meus retornos pra casa ap&oacute;s a escola em meus 
tempos de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, n&atilde;o sorriu, 
dan&ccedil;ou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou clarineta de Paulo 
Moura. Quantos casais n&atilde;o se formaram depois de dan&ccedil;arem enlevados um 
fox-trot tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente e sem o 
perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da m&uacute;sica instrumental 
dos discos do maestro, naquelas belas can&ccedil;&otilde;es sem palavras? Quantos ignoram at&eacute; 
hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em quase todos os grandes 
momentos de nossa m&uacute;sica nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas? <br><br>No ano passado, dei de 
presente ao meu pai o disco "Dois panos para manga", o belo encontro musical de 
Paulo Moura e Jo&atilde;o Donato, apenas piano e clarineta em vers&otilde;es instrumentais 
para cl&aacute;ssicos brasileiros e americanos. Escutamos juntos o CD em casa e no 
carro. N&atilde;o havia d&uacute;vidas: aquele menino que nascera em S&atilde;o Paulo na d&eacute;cada de 
1930 e que por algum tempo morara em nosso bairro era realmente 
genial.<br><br>Paulo Moura se foi no come&ccedil;o desta semana. Morreu sereno e 
tranquilo como sempre foi. Li nos obitu&aacute;rios de sua morte que ningu&eacute;m jamais se 
lembrara de t&ecirc;-lo visto levantar a voz com algum m&uacute;sico ou esbravejar com 
algu&eacute;m. Era de uma eleg&acirc;ncia &iacute;mpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de 
morrer, Wagner Tiso e v&aacute;rios m&uacute;sicos amigos de Paulo o visitaram na cl&iacute;nica S&atilde;o 
Vicente, nde estava internado. Ali, j&aacute; bastante fragilizado, Paulo pegou a 
clarineta e soprou por uma &uacute;ltima vez "Doce de coco". <br><br>Hoje em dia s&oacute; 
passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho e a casa onde moro. A 
casa onde Paulo Moura morou ainda est&aacute; l&aacute;. Sei que nunca mais ouvirei o som 
daqueles sopros musicais vindos l&aacute; de dentro. Mas a lembran&ccedil;a daquelas 
caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de passos apenas para ouvir o 
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Marcelo Neder | 4 Aug 2010 16:09
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Re: Uma homenagem a Paulo Moura

Belo texto...


abs


Marcelo Neder

--- Em ter, 3/8/10, Mauricio Martins <lv2ms <at> hotmail.com> escreveu:

De: Mauricio Martins <lv2ms-PkbjNfxxIARBDgjK7y7TUQ@public.gmane.org>
Assunto: [S-C] Uma homenagem a Paulo Moura
Para: "Tribuna samba e choro" <tribuna-hdMxnMQYeBIXi6LuJXJ0AV/I71DsQ//L@public.gmane.org>, "Rogério Martins" <rogerms-/1Rj0zDCqbBfyO9Q7EP/yw@public.gmane.org>
Data: Terça-feira, 3 de Agosto de 2010, 16:11

 

Pessoal, encaminho belo texto sobre Paulo Moura postado no blog Marginal Conservador,

Abraços, Maurício Martins

 

por Rogério Martins

Essa música me lembra uma história: Doce de coco, ou Uma homenagem a Paulo Moura

Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, não tenho mais certeza. Mas foi mais ou menos nesta época que meus pais se mudaram. Continuamos no mesmo bairro, Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola, onde eu terminava o antigo 2º grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa, após a escola, por um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria das vezes, sozinho outras tantas. Saía da escola lá pelo meio-dia e no caminho passava por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu sempre que passava em frente diminuía os passos. Da rua, dava pra escutar perfeitamente o som que vinha de dentro: um som de um instrumento de sopro - um saxofone?, uma clarineta? eu não sabia. A pessoa que tocava aquele instrumento estava nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais tarde tocar para a plateia de dançarinos de uma gafieira ou para os bolsos mais afortunados presentes em uma casa mais sóbria, como o Teatro Municipal.

Somente mais tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava elegantemente aquele instrumento, e que me fazia diminuir os passos para ouvir mais um pouquinho de sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto período em que o genial músico morou no meu bairro, no começo dos anos 1980.

Creio que foi minha mãe que me contou da presença daquele músico que eu pouco conhecia. Mas a certeza de que havia um músico respeitado no meu bairro me fazia querer conhecer um pouco mais do trabalho dele. Algum tempo depois, uma de minhas tias, que adorava comemorar aniversários de forma diferente, avisou à família que iria comemorar naquele ano na Lapa. O local escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo havia a "Domingueira Voadora", com o maestro Severino Araújo comandando a Orquestra Tabajara num baile bastante concorrido. Paulo Moura não estava lá, mas a grandeza do naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo passado.

Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de Paulo Moura. Eu já era adolescente e, através de meu pai, um grande fã de músicas de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais eclético e expandir meu gosto. Uma música do disco me agradava muito. Era a primeira faixa, o fox "Mulher", de autoria de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, um grande sucesso dos anos 40. Os dois ou três primeiros minutos da gravação resumiam-se a um magnífico solo de clarineta de Moura, para somente depois entrar a voz do crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela gravação. Outra canção que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de coco", um choro simplesmente lindo.

Sim, eu sei, não são histórias brilhantes, nem muito originais. Mas resolvi contá-las depois que ouvi a notícia da morte de Paulo Moura, aos 77 anos, na clínica em que estava internado para se tratar de um câncer. Aquele homem que sem o saber alegrou meus retornos pra casa após a escola em meus tempos de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, não sorriu, dançou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou clarineta de Paulo Moura. Quantos casais não se formaram depois de dançarem enlevados um fox-trot tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente e sem o perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da música instrumental dos discos do maestro, naquelas belas canções sem palavras? Quantos ignoram até hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em quase todos os grandes momentos de nossa música nas últimas décadas?

No ano passado, dei de presente ao meu pai o disco "Dois panos para manga", o belo encontro musical de Paulo Moura e João Donato, apenas piano e clarineta em versões instrumentais para clássicos brasileiros e americanos. Escutamos juntos o CD em casa e no carro. Não havia dúvidas: aquele menino que nascera em São Paulo na década de 1930 e que por algum tempo morara em nosso bairro era realmente genial.

Paulo Moura se foi no começo desta semana. Morreu sereno e tranquilo como sempre foi. Li nos obituários de sua morte que ninguém jamais se lembrara de tê-lo visto levantar a voz com algum músico ou esbravejar com alguém. Era de uma elegância ímpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de morrer, Wagner Tiso e vários músicos amigos de Paulo o visitaram na clínica São Vicente, nde estava internado. Ali, já bastante fragilizado, Paulo pegou a clarineta e soprou por uma última vez "Doce de coco".

Hoje em dia só passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho e a casa onde moro. A casa onde Paulo Moura morou ainda está lá. Sei que nunca mais ouvirei o som daqueles sopros musicais vindos lá de dentro. Mas a lembrança daquelas caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de passos apenas para ouvir o músico, ficarão comigo para sempre.

Adeus, Paulo Moura.


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<table cellspacing="0" cellpadding="0" border="0"><tr><td valign="top">Belo texto...<br><br><br>abs<br><br><br>Marcelo Neder<br><br>--- Em ter, 3/8/10, Mauricio Martins &lt;lv2ms <at> hotmail.com&gt; escreveu:<br><blockquote>
<br>De: Mauricio Martins &lt;lv2ms@...&gt;<br>Assunto: [S-C] Uma homenagem a Paulo Moura<br>Para: "Tribuna samba e choro" &lt;tribuna@...&gt;, "Rog&eacute;rio Martins" &lt;rogerms@...&gt;<br>Data: Ter&ccedil;a-feira, 3 de Agosto de 2010, 16:11<br><br><div>

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<a rel="nofollow" name="2631653437310522476"></a>
<h3 class="yiv1616150281post-title entry-title">&nbsp;</h3>
<p class="yiv1616150281post-title entry-title">Pessoal, encaminho belo texto sobre Paulo Moura&nbsp;postado no blog Marginal Conservador,</p>
<p class="yiv1616150281post-title entry-title">Abra&ccedil;os, Maur&iacute;cio Martins</p>
<p class="yiv1616150281post-title entry-title">&nbsp;</p>
<p class="yiv1616150281post-title entry-title">por Rog&eacute;rio Martins</p>
<h3 class="yiv1616150281post-title entry-title">
<a rel="nofollow" target="_blank" href="http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce.html">Essa m&uacute;sica me lembra uma hist&oacute;ria: Doce de coco, ou Uma homenagem a Paulo Moura</a> </h3>
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<div class="yiv1616150281post-header-line-1"></div>
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<div class="yiv1616150281post-body entry-content">Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, n&atilde;o tenho mais certeza. Mas foi mais ou menos nesta &eacute;poca que meus pais se mudaram. Continuamos no mesmo bairro, Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola, onde eu terminava o antigo 2&ordm; grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa, ap&oacute;s a escola, por um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria das vezes, sozinho outras tantas. Sa&iacute;a da escola l&aacute; pelo meio-dia e no caminho passava por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu sempre que passava em frente diminu&iacute;a os passos. Da rua, dava pra escutar perfeitamente o som que vinha de dentro: um som de um instrumento de sopro - um saxofone?, uma clarineta? eu n&atilde;o sabia. A pessoa que tocava aquele instrumento estava nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais tarde tocar para a plateia de
 dan&ccedil;arinos de uma gafieira ou para os bolsos mais afortunados presentes em uma casa mais s&oacute;bria, como o Teatro Municipal.<br><br>Somente mais tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava elegantemente aquele instrumento, e que me fazia diminuir os passos para ouvir mais um pouquinho de sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto per&iacute;odo em que o genial m&uacute;sico morou no meu bairro, no come&ccedil;o dos anos 1980. <br><br>Creio que foi minha m&atilde;e que me contou da presen&ccedil;a daquele m&uacute;sico que eu pouco conhecia. Mas a certeza de que havia um m&uacute;sico respeitado no meu bairro me fazia querer conhecer um pouco mais do trabalho dele. Algum tempo depois, uma de minhas tias, que adorava comemorar anivers&aacute;rios de forma diferente, avisou &agrave; fam&iacute;lia que iria comemorar naquele ano na Lapa. O local escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo havia a "Domingueira Voadora", com o maestro Severino Ara&uacute;jo comandando a Orquestra Tabajara num baile bastante
 concorrido. Paulo Moura n&atilde;o estava l&aacute;, mas a grandeza do naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo passado.<br><br>Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de Paulo Moura. Eu j&aacute; era adolescente e, atrav&eacute;s de meu pai, um grande f&atilde; de m&uacute;sicas de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais ecl&eacute;tico e expandir meu gosto. Uma m&uacute;sica do disco me agradava muito. Era a primeira faixa, o fox "Mulher", de autoria de Cust&oacute;dio Mesquita e Sadi Cabral, um grande sucesso dos anos 40. Os dois ou tr&ecirc;s primeiros minutos da grava&ccedil;&atilde;o resumiam-se a um magn&iacute;fico solo de clarineta de Moura, para somente depois entrar a voz do crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela grava&ccedil;&atilde;o. Outra can&ccedil;&atilde;o que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de coco", um choro simplesmente lindo. <br><br>Sim, eu sei, n&atilde;o s&atilde;o hist&oacute;rias brilhantes, nem muito originais. Mas resolvi cont&aacute;-las depois que ouvi a not&iacute;cia da
 morte de Paulo Moura, aos 77 anos, na cl&iacute;nica em que estava internado para se tratar de um c&acirc;ncer. Aquele homem que sem o saber alegrou meus retornos pra casa ap&oacute;s a escola em meus tempos de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, n&atilde;o sorriu, dan&ccedil;ou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou clarineta de Paulo Moura. Quantos casais n&atilde;o se formaram depois de dan&ccedil;arem enlevados um fox-trot tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente e sem o perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da m&uacute;sica instrumental dos discos do maestro, naquelas belas can&ccedil;&otilde;es sem palavras? Quantos ignoram at&eacute; hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em quase todos os grandes momentos de nossa m&uacute;sica nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas? <br><br>No ano passado, dei de presente ao meu pai o disco "Dois panos para manga", o belo encontro musical de Paulo Moura e Jo&atilde;o Donato, apenas piano e clarineta em vers&otilde;es
 instrumentais para cl&aacute;ssicos brasileiros e americanos. Escutamos juntos o CD em casa e no carro. N&atilde;o havia d&uacute;vidas: aquele menino que nascera em S&atilde;o Paulo na d&eacute;cada de 1930 e que por algum tempo morara em nosso bairro era realmente genial.<br><br>Paulo Moura se foi no come&ccedil;o desta semana. Morreu sereno e tranquilo como sempre foi. Li nos obitu&aacute;rios de sua morte que ningu&eacute;m jamais se lembrara de t&ecirc;-lo visto levantar a voz com algum m&uacute;sico ou esbravejar com algu&eacute;m. Era de uma eleg&acirc;ncia &iacute;mpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de morrer, Wagner Tiso e v&aacute;rios m&uacute;sicos amigos de Paulo o visitaram na cl&iacute;nica S&atilde;o Vicente, nde estava internado. Ali, j&aacute; bastante fragilizado, Paulo pegou a clarineta e soprou por uma &uacute;ltima vez "Doce de coco". <br><br>Hoje em dia s&oacute; passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho e a casa onde moro. A casa onde Paulo Moura morou ainda est&aacute; l&aacute;. Sei que nunca mais ouvirei o som daqueles sopros
 musicais vindos l&aacute; de dentro. Mas a lembran&ccedil;a daquelas caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de passos apenas para ouvir o m&uacute;sico, ficar&atilde;o comigo para sempre.<br><br>Adeus, Paulo Moura. <br><br>
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