Uma homenagem a Paulo Moura: essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce
Obr. pelo link.
Parabéns, Paulo Roberto Pires (blog
Marginal conservadorhttp://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce.htmlEm 3 de agosto de 2010 23:56, estevao
<estevao-VI0lvyYTqMY39yzSjRtAkw@public.gmane.org> escreveu:
Que bela história, cada um vai fazendo a trilha sonora
de sua vida. Obrigado pelo link !
Estêvão
Pessoal, encaminho belo texto sobre Paulo
Moura postado no blog Marginal Conservador,
Abraços, Maurício Martins
por Rogério Martins
Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, não tenho
mais certeza. Mas foi mais ou menos nesta época que meus pais se mudaram.
Continuamos no mesmo bairro, Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola,
onde eu terminava o antigo 2º grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa,
após a escola, por um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria
das vezes, sozinho outras tantas. Saía da escola lá pelo meio-dia e no caminho
passava por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz
Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu sempre que
passava em frente diminuía os passos. Da rua, dava pra escutar perfeitamente o
som que vinha de dentro: um som de um instrumento de sopro - um saxofone?, uma
clarineta? eu não sabia. A pessoa que tocava aquele instrumento estava
nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais tarde tocar para a
plateia de dançarinos de uma gafieira ou para os bolsos mais afortunados
presentes em uma casa mais sóbria, como o Teatro Municipal.
Somente mais
tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava elegantemente aquele
instrumento, e que me fazia diminuir os passos para ouvir mais um pouquinho de
sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto período em que o genial músico
morou no meu bairro, no começo dos anos 1980.
Creio que foi minha mãe
que me contou da presença daquele músico que eu pouco conhecia. Mas a certeza de
que havia um músico respeitado no meu bairro me fazia querer conhecer um pouco
mais do trabalho dele. Algum tempo depois, uma de minhas tias, que adorava
comemorar aniversários de forma diferente, avisou à família que iria comemorar
naquele ano na Lapa. O local escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo
havia a "Domingueira Voadora", com o maestro Severino Araújo comandando a
Orquestra Tabajara num baile bastante concorrido. Paulo Moura não estava lá, mas
a grandeza do naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo
passado.
Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de
Paulo Moura. Eu já era adolescente e, através de meu pai, um grande fã de
músicas de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais eclético e
expandir meu gosto. Uma música do disco me agradava muito. Era a primeira faixa,
o fox "Mulher", de autoria de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, um grande sucesso
dos anos 40. Os dois ou três primeiros minutos da gravação resumiam-se a um
magnífico solo de clarineta de Moura, para somente depois entrar a voz do
crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela gravação. Outra canção
que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de coco", um choro simplesmente
lindo.
Sim, eu sei, não são histórias brilhantes, nem muito originais.
Mas resolvi contá-las depois que ouvi a notícia da morte de Paulo Moura, aos 77
anos, na clínica em que estava internado para se tratar de um câncer. Aquele
homem que sem o saber alegrou meus retornos pra casa após a escola em meus
tempos de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, não sorriu,
dançou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou clarineta de Paulo
Moura. Quantos casais não se formaram depois de dançarem enlevados um
fox-trot tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente e sem o
perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da música instrumental
dos discos do maestro, naquelas belas canções sem palavras? Quantos ignoram até
hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em quase todos os grandes
momentos de nossa música nas últimas décadas?
No ano passado, dei de
presente ao meu pai o disco "Dois panos para manga", o belo encontro musical de
Paulo Moura e João Donato, apenas piano e clarineta em versões instrumentais
para clássicos brasileiros e americanos. Escutamos juntos o CD em casa e no
carro. Não havia dúvidas: aquele menino que nascera em São Paulo na década de
1930 e que por algum tempo morara em nosso bairro era realmente
genial.
Paulo Moura se foi no começo desta semana. Morreu sereno e
tranquilo como sempre foi. Li nos obituários de sua morte que ninguém jamais se
lembrara de tê-lo visto levantar a voz com algum músico ou esbravejar com
alguém. Era de uma elegância ímpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de
morrer, Wagner Tiso e vários músicos amigos de Paulo o visitaram na clínica São
Vicente, nde estava internado. Ali, já bastante fragilizado, Paulo pegou a
clarineta e soprou por uma última vez "Doce de coco".
Hoje em dia só
passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho e a casa onde moro. A
casa onde Paulo Moura morou ainda está lá. Sei que nunca mais ouvirei o som
daqueles sopros musicais vindos lá de dentro. Mas a lembrança daquelas
caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de passos apenas para ouvir o
músico, ficarão comigo para sempre.
Adeus, Paulo Moura.
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<div>Obr. pelo link.<br><br>Parabéns, Paulo Roberto Pires (blog<a href="http://marginalconservador.blogspot.com/"> Marginal conservador</a><br><br><a href="http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce.html">http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce.html</a><br><br><br><br><br><div class="gmail_quote">Em 3 de agosto de 2010 23:56, estevao <span dir="ltr"><<a href="mailto:estevao <at> sigmabbs.com.br">estevao@...</a>></span> escreveu:<br><blockquote class="gmail_quote">
<div>
<div dir="ltr" align="left"><span>Que bela história, cada um vai fazendo a trilha sonora
de sua vida. Obrigado pelo link !</span></div>
<div dir="ltr" align="left">
<span></span> </div>
<div dir="ltr" align="left">
<span></span> </div>
<div dir="ltr" align="left"><span>Estêvão</span></div>
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<br> </div>
<div dir="ltr" align="left" lang="pt-br">
De: <a href="mailto:tribuna-bounces <at> samba-choro.com.br" target="_blank">tribuna-bounces@...</a>
[mailto:<a href="mailto:tribuna-bounces@..." target="_blank">tribuna-bounces@...</a>] Em nome de Mauricio
Martins<br>Enviada em: terça-feira, 3 de agosto de 2010
16:12<br>Para: Tribuna samba e choro; Rogério Martins<br>Assunto:
[S-C] Uma homenagem a Paulo Moura<br><br>
</div>
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<div class="h5">
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<a name="12a3b06098a9ade5_2631653437310522476"></a>
<h3> </h3>
<p>Pessoal, encaminho belo texto sobre Paulo
Moura postado no blog Marginal Conservador,</p>
<p>Abraços, Maurício Martins</p>
<p> </p>
<p>por Rogério Martins</p>
<h3>
<a href="http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce.html" target="_blank">Essa música me lembra uma história: Doce de
coco, ou Uma homenagem a Paulo Moura</a> </h3>
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<div></div>
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<div>Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, não tenho
mais certeza. Mas foi mais ou menos nesta época que meus pais se mudaram.
Continuamos no mesmo bairro, Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola,
onde eu terminava o antigo 2º grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa,
após a escola, por um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria
das vezes, sozinho outras tantas. Saía da escola lá pelo meio-dia e no caminho
passava por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz
Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu sempre que
passava em frente diminuía os passos. Da rua, dava pra escutar perfeitamente o
som que vinha de dentro: um som de um instrumento de sopro - um saxofone?, uma
clarineta? eu não sabia. A pessoa que tocava aquele instrumento estava
nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais tarde tocar para a
plateia de dançarinos de uma gafieira ou para os bolsos mais afortunados
presentes em uma casa mais sóbria, como o Teatro Municipal.<br><br>Somente mais
tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava elegantemente aquele
instrumento, e que me fazia diminuir os passos para ouvir mais um pouquinho de
sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto período em que o genial músico
morou no meu bairro, no começo dos anos 1980. <br><br>Creio que foi minha mãe
que me contou da presença daquele músico que eu pouco conhecia. Mas a certeza de
que havia um músico respeitado no meu bairro me fazia querer conhecer um pouco
mais do trabalho dele. Algum tempo depois, uma de minhas tias, que adorava
comemorar aniversários de forma diferente, avisou à família que iria comemorar
naquele ano na Lapa. O local escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo
havia a "Domingueira Voadora", com o maestro Severino Araújo comandando a
Orquestra Tabajara num baile bastante concorrido. Paulo Moura não estava lá, mas
a grandeza do naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo
passado.<br><br>Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de
Paulo Moura. Eu já era adolescente e, através de meu pai, um grande fã de
músicas de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais eclético e
expandir meu gosto. Uma música do disco me agradava muito. Era a primeira faixa,
o fox "Mulher", de autoria de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, um grande sucesso
dos anos 40. Os dois ou três primeiros minutos da gravação resumiam-se a um
magnífico solo de clarineta de Moura, para somente depois entrar a voz do
crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela gravação. Outra canção
que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de coco", um choro simplesmente
lindo. <br><br>Sim, eu sei, não são histórias brilhantes, nem muito originais.
Mas resolvi contá-las depois que ouvi a notícia da morte de Paulo Moura, aos 77
anos, na clínica em que estava internado para se tratar de um câncer. Aquele
homem que sem o saber alegrou meus retornos pra casa após a escola em meus
tempos de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, não sorriu,
dançou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou clarineta de Paulo
Moura. Quantos casais não se formaram depois de dançarem enlevados um
fox-trot tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente e sem o
perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da música instrumental
dos discos do maestro, naquelas belas canções sem palavras? Quantos ignoram até
hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em quase todos os grandes
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presente ao meu pai o disco "Dois panos para manga", o belo encontro musical de
Paulo Moura e João Donato, apenas piano e clarineta em versões instrumentais
para clássicos brasileiros e americanos. Escutamos juntos o CD em casa e no
carro. Não havia dúvidas: aquele menino que nascera em São Paulo na década de
1930 e que por algum tempo morara em nosso bairro era realmente
genial.<br><br>Paulo Moura se foi no começo desta semana. Morreu sereno e
tranquilo como sempre foi. Li nos obituários de sua morte que ninguém jamais se
lembrara de tê-lo visto levantar a voz com algum músico ou esbravejar com
alguém. Era de uma elegância ímpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de
morrer, Wagner Tiso e vários músicos amigos de Paulo o visitaram na clínica São
Vicente, nde estava internado. Ali, já bastante fragilizado, Paulo pegou a
clarineta e soprou por uma última vez "Doce de coco". <br><br>Hoje em dia só
passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho e a casa onde moro. A
casa onde Paulo Moura morou ainda está lá. Sei que nunca mais ouvirei o som
daqueles sopros musicais vindos lá de dentro. Mas a lembrança daquelas
caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de passos apenas para ouvir o
músico, ficarão comigo para sempre.<br><br>Adeus, Paulo Moura.
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<p>Nenhum vírus encontrado nessa mensagem
recebida.<br>Verificado por AVG - <a href="http://www.avgbrasil.com.br" target="_blank">www.avgbrasil.com.br</a><br>Versão: 9.0.851 /
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