Bem... achei alguns artigos do Pós_Doutorado Jose Luis Braga, que tem uma
bagagem de +- 30 anos de vida profissional e academica da UFV. Ele reflete
com seus alunos sobre tendencias e resolvi postar aqui alguns deles... ACHO
Q AJUDA MUITOS FORMANDOS E FORMADOS!
Serviço público ou iniciativa privada? Sexta-Feira, 27 Abril, 2007
Posted by Jose Luis Braga in Carreira. trackback
Uma outra decisão que ocupa a mente e a vida dos recém-formados, e também
dos que já estão no mercado de trabalho, é sobre partir ou não para uma
carreira na área pública. Os editais para contratação têm aparecido com
muita frequência, oferecendo bons salários iniciais e enchendo os sonhos dos
candidatos. E as prefeituras municipais também têm contratado, destaque para
o Programa de Saúde da Família que se transformou em um passo intermediário
para muitos médicos e outros profissionais recém-formados da área de saúde.
Essa é outra decisão complicada, cheia de armadilhas e riscos, muito mais do
que a dúvida Mercado ou Mestrado?, que comentei na última postagem. Minha
análise aqui é baseada na minha própria visão de 30 anos como funcionário
público federal, professor do terceiro grau.
Antes de mais nada, não encham demais os olhos com os altos salários
iniciais oferecidos nos editais na área pública, embora eles sejam
tentadores (um valor de que me lembro, de edital recente acho que para
Auditor, era de R$7.500,00). O que fatalmente vai acontecer é que o seu
salário vai ser sempre esse ou pior, ao longo do tempo. E você vai chegar ao
final da carreira, na hora de se aposentar, com um salário corroido e que
não garante a manutenção do seu poder aquisitivo, corrigido aqui e ali por
alguma promoção ou aumento salarial gentilmente concedido pelo governo
depois de algumas greves ou paralizações.
Quando fui contratado na UFV em agosto de 1976 como Auxiliar de Ensino,
recém-formado e sem Mestrado, meu salário correspondia a mais ou menos
US$3.000,00 brutos. O poder de compra de US$1,00 nos EUA nessa época (1976)
correspondia a US$3,61 nos dias de hoje (2007), projetado pela inflação
deles (neste site, entrar em Inflation Calculator). Esta é apenas uma
referência para termos uma base de comparação, muitos outros fatores teriam
que ser levados em consideração para fazermos o transporte correto de
valores e principalmente de contexto. Meu salário bruto hoje, convertido em
dólar, fica abaixo daquele valor que eu ganhava quando fui contratado, e
nunca nem vai passar perto dos US$10.000,00 que seria aquele mesmo valor
corrigido pela inflação do dólar. Isso depois de muito sofrimento, tensão,
desânimo, mestrado, doutorado, pós-doutorado, uma greve a cada dois anos que
acabaram com as nossas férias, e de ter percorrido todos os níveis da
carreira de professor do terceiro grau e de já estar agarrado no último
nível da carreira desde 1998. E o salário inicial da carreira hoje, para
professor Auxiliar, anda por volta dos US$1.000,00 brutos!
A questão salarial ainda não é o pior ponto, no meu entendimento. Uma
questão muito mais complicada se refere à empregabilidade, que é a sua
competência ou capacidade de se manter empregável ao longo do tempo. Que
significa estar atualizado com relação ao mercado de trabalho privado, com
as certificações em dia, acompanhando a evolução da área e pronto para
encarar uma eventual saida do emprego público, indo para a área privada e
concorrendo em condições de igualdade com quem já está lá. Treinamento não é
um ponto forte no setor público, e se você não for pessoalmente muito
agressivo e não desanimar depois de algum tempo, vai se transformar num
dinossauro tecnológico, completamente fora do mercado de qualquer canto do
mundo. O treinamento de funcionários na área pública é muito fraco ou
inexistente, sempre na dependência de governantes, chefias, falta de
recursos, é um ciclo vicioso que vai piorando a sua situação ao longo do
tempo. E você fica no meio da tormenta, cada vez mais desanimado e cada vez
mais preso a valores do tipo estabilidade no emprego, aposentadoria e
carteira assinada, incompativeis com o mercado de trabalho atual e com o
mundo plano e sem fronteiras.
Uma terceira questão se refere à valorização do funcionário público perante
a sociedade, que se reflete diretamente na nossa auto-estima. Quem é o
funcionário público perante a sociedade? Grevista, relapso, não cumpre
horário, ganha altos salários, se aposenta como um marajá, causador de todos
os problemas com a Previdência Social, responsável pela inflação alta, e
precisa de mais? O próprio governo, que é o empregador, se encarrega de
construir e polir cuidadosamente essa imagem negativa. Governos entram e
saem, e isso não muda, continuamos a ser o cocô do cavalo do bandido, todo
mundo no mesmo saco independente de todo e qualquer esforço que a gente faça
para mudar essa imagem. Não é necessário procurar muito para constatar que
essa é a imagem do servidor público perante a sociedade, basta acompanhar os
principais noticiários de jornais e telejornais. Se quiserem outra opinião
mais forte, realista e desanimadora, leiam aqui.
Tenho assunto para escrever muito mais sobre a área pública, mas vou parar
aqui e falar um pouco da carreira na área privada. O ponto principal na área
privada é: você é dono da sua carreira, da sua empregabilidade, das suas
férias, do seu plano de saúde, das suas certificações, da sua ascensão
profissional e do seu futuro. Tudo depende da sua competência, espirito
empreendedor, arrojo e capacidade de inovar. Seu salário vai ser determinado
pelo seu valor de mercado, pela sua experiência e pelo valor que você vai
retornar ao seu empregador. E você ainda terá a liberdade para ter sua
própria empresa, as oportunidades na área de TI são imensas e em franca
expansão, o limite é o mundo. Se seu trabalho não lhe satisfaz, e se você é
competente, empreendedor e manteve sua empregabilidade, a mudança para outro
trabalho melhor é questão simples, o mercado é imenso mas cada vez mais
exigente. Nunca se esqueça da empregabilidade, esse continua sendo um fator
crucial em qualquer situação. Esse mercado tem também seus pontos negativos:
estresse constante pelo excesso de trabalho e de compromissos, muita
competição, cronogramas por cumprir, estouro de orçamento, time-to-market,
falta de tempo para alguma atividade física, refeições irregulares em termos
de tempo, sossego e qualidade. Sua saúde pode ficar muito comprometida por
tudo isso, mas
depende de você querer mudar seu ritmo e partir para outra
se o nivel de estresse estiver acima do que você conseguir suportar.
Felizmente, parece que uma mudança está em curso na área pública. Cargos
estratégicos, tradicionalmente ocupados por apadrinhados de politicos, estão
sendo lentamente ocupados por funcionários técnicos, de carreira, com
pós-graduação em administração ou área correlata, com forte espírito
empreendedor. Alguns governos estaduais estão adotando essa linha mais
técnica (destaque para os governos dos estados de Minas Gerais e do Rio de
Janeiro), e no meu entendimento essa mudança tende a valorizar as carreiras
na área pública, ainda que lentamente. Não é possivel nem estabelecer um
horizonte para que essa revolução se propague, mas ainda que ela esteja
ocorrendo lentamente, é uma luz no fim do túnel. E, se sua vocação é ser
professor e pesquisador, então você não vai ter escolha, seu caminho é
tentar entrar em alguma universidade pública, pois raras escolas privadas
investem em pesquisa. Esse caminho, apesar dos percalços que já citei do
serviço público, tem suas compensações, a principal delas é sua liberdade de
criar, estudar, ler, crescer intelectualmente e de ser responsável por parte
da formação intelectual de milhares de jovens graduandos, mestres e doutores
que vão entrar no mercado de trabalho com uma consciência melhor. Lembre-se:
raramente se contrata algum profissional em universidade pública que não
tenha doutorado, são pouquissimas as exceções.
Mais uma vez, minha intenção foi mostrar alguns pontos para vocês pensarem,
e jogar a decisão de volta para vocês próprios. Procurei não ser negativo
demais ao pintar a carreira na área pública, não me deixando levar pelos
meus próprios ranços e tendências que ganhei ao longo desses trinta anos.
Espero ter ajudado mas
cada um é cada qual (Adilson Maguila).
Abracos
Flavio Nogueira da Costa
< Analista de Sistemas >
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